• Biografia

    Nem sempre a história se repete.
    A carreira dessa cantora, natural de Maringá (PR), fugiu de todos os clichês. Foi como se sua relação com a música tivesse se imposto por acaso. Já o amor com essa arte, essa sim, se desenvolveu bem cedo.

    Quando criança, a ainda Renata Valente fuçou nos discos do pai e, entre um Chico Buarque e um Beatles, se emocionou ao ouvir pela primeira vez a música “Have you Ever Seen the Rain”, do Creedence Clearwater Revival. O ouvido foi se acostumando e a pequena Renata saía pela casa, batucando pelos cantos, cantarolando suas próprias melodias e tocando sua guitarra de vassoura em bandas imaginárias. Aos 9 anos, era natural para ela começar a compor e aprender violão.

    Foi para o Japão aos 18 anos.  Assim que terminou o curso de cultura e história japonesa deu mais atenção ao que até então era apenas um hobby: a música.
    Ao se apresentar na noite de Tokyo, ganhou uns trocados e um convite de uma gravadora independente. “Você tem músicas próprias?”, perguntaram. Reah – como os americanos a chamavam por não conseguirem falar Renata corretamente – teve que escolher algumas músicas entre as 80 já compostas. Mostrou-as ao violão para os produtores e foi contratada.

    Seu primeiro disco, Certain Relativity, traz canções escritas durante sua adolescência e já mostrava que de jovem ingênua Renata não tinha nada. O talento na composição, o conhecimento musical e a voz potente fez do disco um sucesso no sul do Japão. Reah Valente trouxe um frescor pra cena roqueira na região. Chegou a fazer três shows por dia, com direito a perseguição dos fãs na rua. Quando ela se viu na posição de cantora, chorou de emoção, sem acreditar. Era hora de encarar: a música a sequestrara para sempre.

    Inquieta, foi parar em Nova York em 2006. A experiência na Big Apple, onde a música emana em cada esquina, instigou Reah. Chegou até a tocar bateria na banda punk Tied for Last – e, de quebra, se apresentou no berço do punk, o hoje extinto CBGB. Reah conheceu músicos e produtores, entre eles Red Spyda, que já produziu trabalhos de Lil’ Kim e 50 Cent. Um contato levou ao outro e ela foi em direção a Los Angeles.

    Por entre as boulevards, conheceu os produtores Paul Fox (Bjork, Wallflowers) e David Cobb (Rock N’ Roll Soldiers, Chris Cornell), que trabalharam no segundo disco, o EP My Way Back Home. Com o disco nas costas, tocou no Whiskey a Go-Go, lendária casa onde The Doors se apresentou no início de carreira, e em Nova York, em uma mini turnê.

    No meio dessas viagens, compôs o terceiro disco, Psychedelic Cinema. O nome saiu de um sonho, como se seu íntimo clamasse pela liberdade artística dos anos 70. Com solos de guitarra, reverbs, experimentação e um delicioso clima psicodélico, Renata se dedicou nas muitas horas de produção e decidiu fazer um disco analógico. Psychedelic Cinema virou figurinha fácil no iTunes e em podcasts de músicas alternativas na internet, como o do blog CDBaby Aos 26 anos,Reah já tinha 3 discos autorais, canções sobre sua existência e uma bagagem musical que passeia tranquilamente no pop rock alternativo.

    A volta ao País de origem se tornou, aos poucos, o próximo passo a ser dado. Reah Valentechegou ao Brasil em novembro de 2011  e, de cara, conheceu os produtores e parceiros Rique Azevedo e Pedro Rangel. A vontade de criar algo mais simples, sóbrio e direto aflorava emoções e fez surgir uma nova nuance na cantora. O resultado veio em 10 canções cantadas em português (com  exceção de Falling Out of Love). Mixado e masterizado por João Milliet, e gravado na Cada Instante Produções, “Cenários” terá lançamento em maio.

    Como um ciclo que se encerra – ou se inicia, dependendo do ponto de vista – todo o talento e sinceridade que rodou e encantou o Japão e os EUA, pode, enfim, se conectar e dialogar em português.